Em dezembro de 2018, apresentei o meu memorial acadêmico para a conquista do título de professor titular. Meu muxima (coração) ainda vibra de emoção ao relembrar aquele momento da minha vida, pois estava prestes a realizar um sonho acalentado desde os anos 1980. O auditório do Departamento de Biologia Molecular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) encontrava-se lotado com as pessoas que havia convidado para esse momento. Eram professores/as, técnicos/as administrativos/as, discentes e ativistas do Movimento Social. Era um grupo diversificado de pessoas que representavam os caminhos por mim trilhados ao longo de meu itinerário acadêmico.
Desde a infância, e mesmo após a aprovação no curso de Ciências Biológicas, no ano de 1982, na Universidade Estadual de Londrina, eu acalentava o sonho de me tornar odontólogo. Porém, as dificuldades enfrentadas para vencer o “funil” do vestibular levaram-me a optar pelo curso de Ciências Biológicas e, uma vez já inserido no ensino superior, tentar uma transferência interna, porém quis Exu, o senhor dos caminhos, que eu me encontrasse nos umbrais e portais ofertados pela Biologia.
O jovem negro, vindo lá da periferia de Londrina, nascido em maio de 1961, havia se decidido pela vida de professor. Lecionei em escolas de ensino fundamental (Monte Mor/SP) e médio (São Paulo/SP). Integrei, ainda, a primeira turma de docentes do cursinho pré-universitário Núcleo de Consciência Negra na USP. Minha estreia no ensino universitário deu-se na Unicamp (Campinas/SP).
O racismo, o preconceito e a discriminação deixaram marcas indeléveis no meu existir, porém não me intimidei e comecei a desenvolver atividades de enfrentamento a essas temáticas ainda no meu primeiro semestre da UEL. O meu fazer pedagógico na UFPB, instituição na qual entrei pela via do concurso público, mostrou-se profundamente pautado pela luta antirracista, em que desenvolvi um processo de ensino de Biologia com base na educação popular (Paulo Freire).
Foi o entendimento do impacto desses três pontos anteriormente citados em nossa sociedade que levaram ao meu engajamento em defesa das cotas tanto na universidade quanto no mundo do trabalho e ter atuado pela adoção delas nos cursos de graduação e pós-graduação da UFPB. Enfim, o livro apresenta uma vida de luta e de enfrentamentos, vitórias e perdas de uma pessoa que procura contribuir para a construção de uma sociedade com equidade. Trago as lembranças possíveis, pois o inconsciente foi um sensor rigoroso desse meu penejar.
| Código: |
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| Autor |
José Antonio Novaes (Baruty) (Baruty) |
| Editora |
Appris |
| Idioma |
PORTUGUÊS |
| Encadernação |
Brochura com Sobrecapa |
| Páginas |
415 |
| Ano de edição |
2025 |
| Número de edição |
1 |